Segundo Pedro Demo (2004), o professor moderno deve "cuidar" da sua prática de ensinar. Esse "cuidar" o coloca na posição de mediador de conhecimentos, tanto daqueles que o educando já tem quanto daqueles que se almeja durante o processo de aprendizagem. Dessa forma, para assegurar esta posição, o professor não deve necessariamente, escolher tudo por ou para os alunos, no que se refere ao que leem e ao que produzem. A produção textual, de qualquer gênero, deve ser espontânea para ser autêntica. Só ressaltando que, quando se fala em espontaneidade, não se diz que a produção surgirá de um insight ou do nada e sim que deve haver uma preparação para que possa fluir, de forma mais natural possível, a construção de uma ideia, um ponto de vista, etc. O "produzir" deve ser orientado e não dirigido - determinando-se o que pode e o que deve ser feito, muitas vezes tolhendo a criatividade - com rédeas "atadas" a algum método didático. Portanto, exige-se do professor, nessa perspectiva, não a habilidade de "dar aula" e sim de propiciar, presenciar, investigar e avaliar todos os aspectos relevantes à aquisição e ao aprimoramento de conhecimentos. A auto-avaliação do professor é muito importante, precisamos assistir nossas próprias aulas, observar nossas atitudes e avaliar os resultados, isto seria também, refletir sobre nossas práticas.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Porto Estrela - TP6
No dia 23 de outubro estivemos reunidos em Porto Estrela para a realização dos estudos do TP6. Para desenvolver o Avançando na prática da página 39, a professora Tânia adotou a seguinte estratégia: primeiro, analisou com seus alunos o texto-propaganda da página 45, observando as características do gênero e a argumentação. Em seguida foi à despensa da escola e trouxe diversos produtos de limpeza. Os seus alunos deveriam manipular os materiais, lendo seus rótulos para informar-se sobre suas particularidades e em seguida produzir textos de propagandas que argumentassem em prol da sua utilização. A sala foi dividida em grupos de trabalho e para cada grupo entregue um produto. De acordo com a professora, todos se concentraram e "não perderam tempo, trocavam ideias, escreviam, apagavam, consultavam dicionários" e reescreviam seus textos. Acrescentou ainda que os grupos criaram um clima de competição, já que o objetivo era apresentar oralmente seu produto e convencer seus interlocutores a usarem-no. A professora produziu seu relato, tanto oral quanto escrito, com visível satisfação.
A professora Marina também realizou a mesma atividade. Para iniciar, passou aos alunos o texto "Calvície" da página 36 do TP6. Foi realizada uma discussão quanto aos elementos argumentativos presentes no texto. Em seguida, dividiu a turma em grupos para escolher propagandas de revistas para analisar. Foram observadas suas características, a quem se destinavam e como argumentavam para chamar a atenção sobre o produto. O próximo passo foi que cada grupo deveria criar um texto de propaganda. Os alunos escreveram sobre celulares, bancos, operadoras de telefonia, etc..
A professora Ana Paula seguiu o roteiro previsto para esta atividade. Destacou que achou "muito interessante" trabalhar esse gênero dessa maneira com seus alunos. Segundo ela, a atividade propiciou "boa interação" em sua sala de aula.
Todos os relatos desta oficina possibilitaram observar mais claramente dois aspectos:
1. o trabalho em grupo pode ser muito produtivo, quando bem mediado, ou seja, com orientações claras e precisas, com intervenções conscientes que contribuam com a progressão do aprendizado, etc..
2. a interação através de situações mais concretas produzem melhores resultados.
Estes dois aspectos sintetizam a reflexão realizada nesta etapa de trabalho e deve servir para que reflitamos cada vez mais sobre nossos planejamentos.
sábado, 24 de outubro de 2009
Seção poética
A sombra
Ação da noite?
Sei não.
Não há noite sem sombra
e há sombra que não é noite,
mas mesmo assim assombra.
Há quem não conhece
O que povoa as sombras da mente.
Mas a noite sabe...
As sombras são da mente e da noite...
A ação
A noite
A sombra
mente...
Ação da noite?
Sei não.
Não há noite sem sombra
e há sombra que não é noite,
mas mesmo assim assombra.
Há quem não conhece
O que povoa as sombras da mente.
Mas a noite sabe...
As sombras são da mente e da noite...
A ação
A noite
A sombra
mente...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Sugestão de atividade - verbos TER, HAVER E EXISTIR
1º. Levar para a sala textos que contenham os verbos TER, HAVER e EXISTIR;
Expor através de cartazes, transparências, datashow ou outros.
Em seguida, ler e discutir com o grupo os significados de cada enunciado abordando a intenção provável de cada um;
Falar também em que contextos são veiculados tais enunciados/textos e a quem se dirigem (interlocutores).
Propor que troquem os verbos, de forma que testem as três possibilidades, discutindo suas adequações em cada situação, até mesmo a sonoridade dos enunciados.
2º. Com base nesses textos analisados proceder uma pesquisa em dicionários para verificar o significado de cada palavra (verbos em questão).
Discutir comparando os significados dos verbos do dicionário com as situações em que foram utilizados nos textos discutidos anteriormente;
Nesta etapa já podemos avaliar ou presumir que os alunos já tenham construído algum conceito sobre os sentidos possíveis que os três verbos podem ter. Logo, já podemos propor que realizem atividades semelhantes a que foi feita para avaliarmos a aprendizagem e a autonomia com que irão proceder durante o desenvolvimento do trabalho.
3º. Em grupos pesquisar e recortar enunciados de jornais ou revistas e proceder uma comparação entre os exemplos já discutidos, os significados do dicionário e os exemplos encontrados nessa etapa. Também pode ser proposto que façam as trocas dos verbos (Ex., quando for o verbo ter: substituir por haver e existir) analisando se houve ou não mudança de sentido em relação ao verbo usado originalmente.
Esse é um momento em que pode ser observado se houve construção de conhecimentos e se os alunos são capazes de atuar de forma mais autônoma nos procedimentos já orientados.
4º. Promover uma exposição dos trabalhos com os grupos, momento em que explicam os sentidos dos enunciados destacados e mostram o resultado das trocas dos verbos em questão e a conclusão do grupo sobre a melhor opção de uso dos verbos.
O que avaliar neste momento: se houve síntese referente à comparação feita entre o USO dos verbos e os significados do dicionário levando em conta a possível intenção e o contexto dos enunciados.
Se caso quiser estender mais a atividade poderá ser feita uma pesquisa em gramáticas sobre o uso destes verbos e mais uma vez comparar os USOS em diferentes gêneros textuais e as prescrições gramaticais presentes na gramática normativa.
Essa atividade foi discutida em oficinas do TP2, mas ainda não foi realizada com alunos. Os professores acharam que pode ser uma boa opção para abordar esses verbos.
Textos usados para exemplificar a atividade: propagandas e textos de jornal, revista e folheto.
(foram exibidos com as imagens que os acompanham em slides power-point)
"..., porque há só uma fórmula campeã em áudio para automóvel". (propaganda da marca Pionner)
"Tangará tem vice-campeão brasileiro de Kung Fu" (Título de uma notícia de jornal)
"Você tem um milhão de coisas para fazer. A primeira é escolher um bom desodorante". (revista)
"A ANS existe para que os planos de saúde cuidem cada vez melhor da sua saúde". (revista)
"Há vagas para 25 mil jovens que queiram aprender uma profissão". (folheto)
TP2 em Barra do Bugres
Antes de começarmos as oficinas do TP2, observei que seria de suma importância enfatizar a primeira unidade (5) em razão de tratar-se do tema GRAMÁTICA. As demais unidades deste caderno não foram desprezadas. Procedemos uma discussão rápida sobre os temas e sobre as atividades sugeridas no Avançando na Prática de cada uma. Para aplicar com os alunos sugeri que todos aplicassem a atividade da página 17, que refere-se aos verbos TER, HAVER E EXISTIR. Como fora presumido, a atividade possibilitou preciosas observações como:
- possibilitou mais interação entre os professores envolvidos;
- houve modificação conforme a necessidade de cada situação, contexto de sala de aula;
- todos relataram necessidade de amparo na gramática normativa, além de recorrerem a conteúdos relacionados;
- observou-se, segundo relatos de professores cursistas, uma grande discordância entre o que diz a gramática normativa e o USO que fazemos dos verbos ter, haver e existir no cotidiano.
Esta atividade foi considerada como complexa pela maioria em razão de uma recomendação prévia, na qual pedi que não fossem direto ao conceito quando iniciassem a atividade. Então, a dificuldade foi em encontrar formas de abordar o conteúdo no início da atividade sem o enfoque nos conceitos normativos desde o primeiro momento. Mas esse desafio foi superado.
O item 2 da atividade, que pede o preenchimento de lacunas, a meu ver, não oferece nenhum desafio aos alunos porque é óbvio que uma das três possibilidades servirá para preencher o espaço da frase. Portanto, não requer análise dos sentidos decorrentes de cada possibilidade.
Todas as professoras cursistas estão nas etapas finais de execução dos projetos com seus alunos e todas reiteraram a importância do Gestar, e dos demais cursos de formação continuada ministrados atualmente, para o trabalho em sala de aula.
domingo, 18 de outubro de 2009
Como justifica-se uma ação pedagógica?
Se a norma permitisse, diria que fosse feita uma observação atenta aos objetivos elencados para cada proposta, pois, eles carregam sobre si toda a semântica do trabalho a ser realizado. Porém, convencionalmente, deve-se lembrar que, como escreve Perrenoud ao professor cabe "organizar e dirigir situações de aprendizagens, mas sem esquecer de que o ensino não deve perseguir mecanicamente os objetivos traçados". É necessário, portanto, avaliar cada estágio da sua realização.
A ação pedagógica deve ser pensada sob diversos aspectos. Em torno da prática de propiciar situações de aproveitamento dos saberes que os educando já possuem, cito Pedro Demo(2004), "A participação ativa do aluno é a razão de ser, desde o início até o fim. Cabe ao professor orientar e avaliar. Cabe ao aluno pesquisar e elaborar."
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Leitura
O artigo " O tratamento do "erro" nas produções textuais: a revisão e a reescritura como parte do processo de avaliação formativa" citado no material de Apoio do Seminário de Acompanhamento do Gestar II em Ago/2009 da profa. Ormezinda Maria Ribeiro - Aya foi indicado para os professores cursistas como leitura complementar. O texto aborda a avaliação formativa através da refacção textual, reforçando o vínculo avaliação/ação. Além disso, quero ressaltar que também reforça uma observação que frequentemente discutimos em nossas oficinas. Trata-se de compartilhar com os alunos os objetivos das atividades propostas. A autora diz que "Um dos aspectos para que uma aprendizagem seja bem sucedida ocorra é que o professor delimite com e para os aprendizes os reais objetivos da(s) atividade(s) a desenvolver."
É muito bom saber que nosso trabalho está em consonância com o que é discutido em outras realidades, e, melhor ainda, é ouvir colegas professores relatarem pontos positivos sobre aspectos que foram observados e discutidos nos primeiros encontros e que hoje provam que vale a pena investir em estudo, em formação aos profissionais que fazem a educação brasileira, aqueles que estão diariamente em contato com o real.
O artigo foi escrito pela professora Ana Dilma de Almeida Pereira e está disponível nos sites www.mocambras.org e ou www.acoalfaplp.org
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