quinta-feira, 1 de outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

TP2 - Porto Estrela

Na oficina de setembro em Porto Estrela, estudamos sobre as principais concepções de gramática que norteiam as atividades em Língua Portuguesa. As discussões sobre o tema são sempre entremeadas por muitas dúvidas e questionamentos, já que não existe um concenso teórico que norteia o ensino, o que existe são abordagens possíveis, mas que não são postas em discussão efetiva pelos profissionais que trabalham diretamente com o ensino de Língua Portuguesa.
Como diz BOFF no texto Todo ponto de vista é a vista de um ponto , "Cada um lê com os olhos que tem."
O fato a observar neste momento é que as atividades do TP2 foram desenvolvidas com sucesso pelos professores cursistas e estes relataram com firmeza suas impressões.
A professora Andréia desenvolveu a atividade da p.30-31, e classificou seu trabalho como um DESAFIO, pois o texto de Ivan Angelo coloca o professor na posição de "analisado" do ponto de vista de um aluno. Mas garantiu que o resultado foi excelente. Ela considerou que: houve debates de ideias e pontos de vista sobre a relação professor X aluno; foi uma oportunidade de DIÁLOGO entre todos pois o tema mexeu com o senso crítico de muitos alunos e favoreceu a interação pela oralidade; a dificuldade maior foi a transposição de 1a. para 3a. pessoa do discurso, proposto no item 4 da atividade.
A professora Marina trabalhou a atividade da p. 16-17 e também reforçou que o diálogo sobre os falares infantis promoveu boa interação entre os alunos.
A professora Lígia optou pelo Avançando da p.128 e com a estratégia de utilizar HQs obteve ótimos resultados.
A professora Ana Lúcia trabalhou com figuras de linguagem, especificamente ironia e metáfora, utilizando os textos da p.110 e o "Dona Inácia" da p.121. O diálogo foi interessante, principalmente sobre a linguagem do futebol.
A professora Ana Paula optou pela atividade da p.51 para desenvolver com seus alunos do 6o. ano. Classificou a atividade como proveitosa, principalmente nos momentos que enfatizou a leitura expressiva com seus alunos.
A professora Tânia escolheu o Avançando da p.24 e desenvolveu uma sequência didática que possibilitou diversas análises sobre os usos dos verbos TER, HAVER e EXISTIR, o que segundo ela foi proveitoso, pois, a maioria dos alunos demonstrou interesse em observar suas semelhanças e diferenças.
Os projetos estão em andamento, apesar do tempo curto para tantas atividades. As cursistas relataram mais uma vez que o Programa Gestar II está possibilitando ampliar horizontes, também vem ajudar a reconhecer muitas práticas que já eram feitas pelos professores, legitimando-as e colaborando para o ensino de qualidade, apesar da influência negativa de muitos outros fatores pertinentes à ação pedagógica.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A gramática do aluno e o ensino produtivo

Há muito acredita-se que podemos ensinar muitas coisas através da repetição e do exemplo. Em muitos casos é assim que acontece, porém no ensino de línguas essa concepção, que enfatiza sob diversos aspectos esses elementos, vem desaparecendo a medida que observamos sua ineficiência por se distanciar das práticas cotidianas.
Um importante linguista francês, André Cousinet, já nos meados do século passado, insistia no fato de que cabia a nós, professores de línguas, ajudar nossos alunos a fazer o papel do linguista: além do próprio uso da língua, observar, observar, observar, e refletir sobre o observado. Depois, registrar essa reflexão de algum modo, se for necessário. (TP2 p.21)
Sendo assim, um dos caminhos possíveis são propostas de atividades que possibilitem aos usuários-aprendizes refletir sobre o que leem e produzem. Atividades nas quais possam testar diferentes possibilidades de usos linguísticos, e a partir desses usos, identificados como possíveis discutirmos as adequações. Dessa forma, exploramos os conhecimentos linguísticos internalizados dos falantes, oportunizamos reflexões pautadas em possibilidades de usos, levando-os a (re)produzir versões para um mesmo texto. Praticar e discutir os usos adequados de cada possibilidade ampliará a gramática interna, implícita, de uso na língua viva e conduzirá à construção da competência de avaliar a adequabilidade da língua no cotidiano e na organização de suas falas (textos orais e escritos).
Basta lembrar que saber expressar-se numa não é simplesmente dominar o modo de estruturação de suas frases, mas é saber combinar essas unidades sintáticas em peças comunicativas eficientes, o que envolve a capacidade de adequar os enunciados às situações, aos objetivos da comunicação e às condições de interlocução. E tudo isso se integra na gramática. (TP2 p36-37).
Exemplo de atividade baseada na Gramática Descritiva ou Reflexiva:
Post Scriptum

Te vi na janela,
bela.
Uma fera de penhoar.
Que tipo mais qualquer,
pensei,
melhor uma fera de software.
Sérgio Caparelli
Atividade oral do texto-poema:

Quem viu alguém na janela? (pessoa verbal)
Quem é visto na janela? (análise semântica)
O que é penhoar? (uso dicionário)
Quem é bela, a janela? ( pontuação, uso da vírgula)
Como sabemos o sexo da pessoa que está na janela? (análise semântica – gênero)
O que quer dizer “que tipo mais qualquer”? (análise semântica – implícito)
O que é software? (estrangeirismos)
O que quer dizer a palavra fera nas duas situações? (linguagem figurada)
Qual o significado da palavra melhor naquele contexto? (análise semântica)
ATIVIDADES ESCRITAS
Outras possibilidades: DESAFIOS.
REESCRITA usando verbos relacionais – que aparecem elípticos no texto e podem ser inseridos em diferentes trechos(ser, estar, parecer).
REESCRITA trocando a palavra MELHOR por outra que não altere o significado do texto.
REESCRITA modificando o foco narrativo – de 1ª. para 3ª. pessoa.
REESCRITA utilizando o conectivo ENTÃO em algum trecho do texto sem modificar o sentido original do texto.
REESCRITA utilizando uma linguagem da internete, msn por exemplo, pois o texto supõem uma situação interlocutiva.
Esta atividade foi desenvolvida pelos cursistas de Barra do Bugres, Denise e Porto Estrela. Também foi compartilhada no Seminário de Acompanhamento com os formadores do grupo da professora Maria Rosa da UNB. Com alunos, recomendo a utilização de uma linguagem mais simplificada, por exemplo, quando for falar dos verbos relacionais, mencionar apenas a inserção de verbos. Já realizei a experiência com alunos da 2a. fase do 3o ciclo e o resultado foi bastante satisfatório.

Linguagem e cultura - Barra do Bugres




No dia 19 de setembro na Escola Julieta Xavier Borges estivemos reunidos para apresentar os estudos do TP1. O grupo foi dividido conforme as unidades do TP e a atividade da oficina 2 - parte III. Os cursistas utilizaram apresentações de slides e exposições orais para falar de cada assunto abordado. Uma das atividades dos Avançando na prática que mais chamou a atenção foi desenvolvida pela professora Elaine : a confecção do dicionário dos jovens. (p.23).


A professora demonstrou grande satisfação com a execução da proposta, pois, a relação com a realidade dos alunos foi um elemento motivador para sua classe. A parte mais interessante da aula foi a socialização oral da pesquisa de palavras e expressões com os familiares, já a parte escrita foi o ponto que mais gerou dificuldades. De acordo com a professora Elaine "a aula foi produtiva porque mexeu com o que é deles", salientou ainda a importância de "haver diálogo sobre o conteúdo, esclarecer bem os pontos a serem trabalhados para então aplicar as atividades na prática." Nesta proposta foram produzidos pequenos livrinhos com exemplos dos falares praticados pelos jovens e seus familiares (foto acima).


O trabalho com a intertextualidade também possibilitou a criação de ótimos textos, provando que os trabalhos foram realmente bem conduzidos. Foram produzidos paródias, paráfrases, pastiches e textos com referência a elementos e personagens de contos clássicos bem conhecidos. A professora Ana Paula selecionou alguns textos que demonstram o entendimento e a criatividade de seus alunos da 3a.F/3o.Ciclo da Escola Julio Muller de Barra do Bugres. Um dos textos pode ser visto acima.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

TP1 - Denise: gestando dias melhores






Nos dias 04 e 05 de setembro, os professores de Língua Portuguesa estiveram reunidos para expor suas ideias e atividades referentes ao TP1 Linguagem e Cultura. As atividades mais comentadas referiram-se à intertextualidade e à variação linguística: dialetos.
A professora Maria de Lourdes da Escola Municipal "Elizeu Antônio de Lima", situada na Comunidade de Fátima no município de Denise/MT, realizou com seus alunos da 8a. (nono ano), uma sequência muito produtiva de estudos envolvendo as variações dialetais presentes na sua própria comunidade. Além do diálogo inicial sobre os dialetos e suas variações, propôs pesquisas de campo na qual os alunos registraram falares e seus significados de pessoas de todas as idades na própria comunidade, propôs em seguida pesquisa em dicionários para comparar os registros encontrados - momento este que proporcionou trocas importantes - pois, seus alunos são oriundos de diversas regiões do Brasil. Segundo a professora "cada pessoa aprende a sua língua em convívio com a família, amigos, os grupos sociais, enfim, pessoas que estão ao nosso redor e participam do nosso cotidiano." Mencionou ainda que seus alunos acharam interessante estudar algo tão comum para eles e se empenharam em aprofundar os conhecimentos a respeito dos dialetos. De acordo com a professora, ficou claro para eles que, as diferenças nas falas observadas entre as famílias, jovens, crianças e adultos, constituem os dialetos e que suas origens dependem de variados fatores como: idade, região, sexo, etc.
Alguns exemplos:
ônibus = busão = baleia = busú
mata fechada = brenha
carona = bigú
trabalho = eito = lida
confusão = buliço

Outra atividade marcante foi apresentada pela professora Keila Amarilha da Escola Municipal "Professora Neide de Oliveira Brito" e seus alunos do 6o. ano A que exploraram a intertextualidade. A forma como a professora apresentou a proposta e o conceito foi decisiva para o sucesso das produções realizadas. Uma delas é o texto "A cinderela" que estará disponível para apreciação de todos.

Os projetos estão em andamento e as expectativas são as melhores!!
Tenho certeza!

Formação continuada

Não tenho pensa.
Só tenho árvores ventos
passarinhos - issos.

Manoel de Barros

Tendo em vista as constantes dificuldades vivenciadas pelos profissionais educadores frente aos desafios de formar cidadãos, faz-se necessário a tomada de atitudes que venham atingir efetivamente o objetivo de melhorar o trabalho em sala de aula e, por conseguinte, a qualidade do ensino. A proposta do MEC, por exemplo, sugere que essa tomada de atitude seja vista tanto do ponto de vista individual, ou seja, de cada profissional educador, quanto do ponto de vista de todo o conjunto: da instituição que educa.
Alguns pontos das diretrizes pressupõem que, para integrar-se nelas, nas ofertas de formações continuadas, o educador deve estar disposto a: aceitá-las como uma "exigência profissional"; discutir "novas tendências" e "novas teorias"; tematizar práticas; trabalhar em equipe; fazer uso da leitura e da escrita, e gerenciar sua própria formação. Os profissionais educadores são bastante conscientes dessas necessidades, porém, nem sempre as condições são favoráveis para que aconteçam realmente. O principal vilão presente no discurso da maioria dos docentes é o tempo, já que a maioria das ações são pautadas no diálogo dos envolvidos. E em um ambiente onde a dinâmica de trabalho deve funcionar em conjunto seria imprescindível a discussão, a tematização e a socialização de ideias, teorias e práticas que caracterizariam uma formação baseada em atitudes formativas.
E a instituição que educa? Qual o seu papel enquanto ambiente formador? Deve-se lembrar sempre ela é composta por TODOS os profissionais que atuam no âmbito e espaço escolar. São avaliadas, cobradas, são questionadas. E até que ponto aceita tais cobranças e questionamentos?
Será que cada um que a compõe reflete sobre a dimensão dessas cobranças e questionamentos? Até que ponto cada componente toma para si a parcela de responsabilidade que lhe cabe?
Uma das diretrizes é clara: a formação continuada "deve integrar-se no dia-a-dia da escola", portanto, é lá o espaço do diálogo, das trocas e das aprendizagens. E na prática, como se configura essa integração de saberes e fazeres???
Enfim, perguntas... perguntas que cada um enquanto indivíduo e enquanto grupo, deve fazer a si mesmo...
Então me atrevo a fazê-las na esperança de que alguém, quiçá muitos, possa contribuir para melhorar o que tenho de bom, aumentar minha visão educacional ou para desfazer equívocos que possam ser cultivados.

TP1 Linguagem e cultura em Porto Estrela









Nos dias 28 e 29 de Agosto aconteceu a oficina e o atendimento individual com os professores de Língua Portuguesa de Porto Estrela/MT. As professoras participantes não escondem a vontade - e muito boa vontade, por sinal - em estarem atuantes em cada etapa do Gestar.

Um dos aspectos relevantes presentes nas discussões foi a importância do DIÁLOGO, não só o diálogo formal entre o professor e o aluno durante os encaminhamentos e atividades, e sim aquele utilizado como uma estratégia de trabalho.

O diálogo foi observado como um fator produtivo, pois, discutir, debater leva à tomada de decisão e consequentemente contribui para ampliar o senso crítico dos alunos. Todas realizaram excelentes trabalhos, como veremos, a seguir no vídeo e fotos enviados.