terça-feira, 13 de outubro de 2009

Leitura

O artigo " O tratamento do "erro" nas produções textuais: a revisão e a reescritura como parte do processo de avaliação formativa" citado no material de Apoio do Seminário de Acompanhamento do Gestar II em Ago/2009 da profa. Ormezinda Maria Ribeiro - Aya foi indicado para os professores cursistas como leitura complementar. O texto aborda a avaliação formativa através da refacção textual, reforçando o vínculo avaliação/ação. Além disso, quero ressaltar que também reforça uma observação que frequentemente discutimos em nossas oficinas. Trata-se de compartilhar com os alunos os objetivos das atividades propostas. A autora diz que "Um dos aspectos para que uma aprendizagem seja bem sucedida ocorra é que o professor delimite com e para os aprendizes os reais objetivos da(s) atividade(s) a desenvolver."
É muito bom saber que nosso trabalho está em consonância com o que é discutido em outras realidades, e, melhor ainda, é ouvir colegas professores relatarem pontos positivos sobre aspectos que foram observados e discutidos nos primeiros encontros e que hoje provam que vale a pena investir em estudo, em formação aos profissionais que fazem a educação brasileira, aqueles que estão diariamente em contato com o real.
O artigo foi escrito pela professora Ana Dilma de Almeida Pereira e está disponível nos sites www.mocambras.org e ou www.acoalfaplp.org

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Avaliação nossa de cada dia!

Vejam a postura dos pinguins. Avaliam atentamente as condições do tempo e do ambiente em que se encontram neste momento.
Avaliar é uma competência que exige um conjunto de habilidades. Ao depararmos com algum objeto, ideia ou mesmo um fato, iniciamos um processo cognitivo que levará a uma avaliação. Pela via dos sentidos, no primeiro contato já se inicia esse processo. A partir daí, observamos, lemos, tocamos, vivenciamos sua presença, e como síntese de tudo, elaboramos nossa opinião a respeito. Sendo assim, avaliar é um processo contínuo e não se esgota, se transforma.
Somos avaliados pelo que falamos, escrevemos, vestimos, temos e somos, e da mesma forma o fazemos com tudo o que nos rodeia. As acepções sobre o ato de avaliar vão desde reconhecer, dar qualidades, atribuir juízos de valor, até compreender - construir significados - os fatos a nossa volta. Dessa forma, as metas que geralmente são estabelecidas através dos objetivos escolares - nos PCNs, por exemplo - consistem em encaminhar os educandos na construção de suas próprias estratégias de avaliar melhor o seu ambiente e a si próprios enquanto ser individual e social.

TP2 em Denise











Em 02 e 03 de outubro nos reunimos em Denise para falar dos projetos que estão em andamento e para a oficina coletiva referente ao TP2. As participantes reiteraram a relevância do programa Gestar II, relatando resultados positivos em suas salas de aulas. O Avançando na prática da pág. 30-31 foi aplicado pelas professoras Eliane e Maria Claésia. Através do texto que se inicia pela frase " Eu odeio professores" foi possível debater, trocar ideias e pontos de vistas sobre a conduta e comportamento tanto de professores quanto de alunos. Ambas relataram que inicialmente, o que parecia um desafio temeroso talvez, tornou-se um trabalho produtivo.
Maria Gomes, Laize e Selma optaram pelo trabalho com onomatopéias da pág. 128. Laize observou que muitos alunos revelavam pouco ou nenhum contato com as HQs, e em razão disso, teve que aprofundar mais estudando com eles as principais características do gênero.
Maria Fernanda escolheu a atividade da pág. 56 - produção de texto a partir de uma imagem relacionada ao tema Meio Ambiente. Os alunos deveriam descrevê-la. De acordo com ela, a maioria das produções revelaram caráter informativo e expositivo ao invés do predomínio da descrição. Discutimos sobre a possível causa desse fato, e achamos plausível que o constante contato com diversificados gêneros que tratam do tema possa ter influenciado as produções.
A professora Margarete Pinheiro realizou a atividade da pág. 120 da seção "Figuras e linguagem literária". A professora Margarete Becker também realizou essa mesma atividade e enfatizou a leitura expressiva no trabalho com seus alunos.
Nesta etapa o trabalho que mais chamou a atenção foi a atividade desenvolvida pela professora Maria de Lourdes. Um dos grupos teve a ideia de gravar um telejornal para falar das figuras de linguagens observadas nas falas das pessoas no cotidiano. Os alunos apresentadores deram um show! O vídeo foi socializado pela professora e é prova da sua paciência e dedicação profissional.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

TP2 - Porto Estrela

Na oficina de setembro em Porto Estrela, estudamos sobre as principais concepções de gramática que norteiam as atividades em Língua Portuguesa. As discussões sobre o tema são sempre entremeadas por muitas dúvidas e questionamentos, já que não existe um concenso teórico que norteia o ensino, o que existe são abordagens possíveis, mas que não são postas em discussão efetiva pelos profissionais que trabalham diretamente com o ensino de Língua Portuguesa.
Como diz BOFF no texto Todo ponto de vista é a vista de um ponto , "Cada um lê com os olhos que tem."
O fato a observar neste momento é que as atividades do TP2 foram desenvolvidas com sucesso pelos professores cursistas e estes relataram com firmeza suas impressões.
A professora Andréia desenvolveu a atividade da p.30-31, e classificou seu trabalho como um DESAFIO, pois o texto de Ivan Angelo coloca o professor na posição de "analisado" do ponto de vista de um aluno. Mas garantiu que o resultado foi excelente. Ela considerou que: houve debates de ideias e pontos de vista sobre a relação professor X aluno; foi uma oportunidade de DIÁLOGO entre todos pois o tema mexeu com o senso crítico de muitos alunos e favoreceu a interação pela oralidade; a dificuldade maior foi a transposição de 1a. para 3a. pessoa do discurso, proposto no item 4 da atividade.
A professora Marina trabalhou a atividade da p. 16-17 e também reforçou que o diálogo sobre os falares infantis promoveu boa interação entre os alunos.
A professora Lígia optou pelo Avançando da p.128 e com a estratégia de utilizar HQs obteve ótimos resultados.
A professora Ana Lúcia trabalhou com figuras de linguagem, especificamente ironia e metáfora, utilizando os textos da p.110 e o "Dona Inácia" da p.121. O diálogo foi interessante, principalmente sobre a linguagem do futebol.
A professora Ana Paula optou pela atividade da p.51 para desenvolver com seus alunos do 6o. ano. Classificou a atividade como proveitosa, principalmente nos momentos que enfatizou a leitura expressiva com seus alunos.
A professora Tânia escolheu o Avançando da p.24 e desenvolveu uma sequência didática que possibilitou diversas análises sobre os usos dos verbos TER, HAVER e EXISTIR, o que segundo ela foi proveitoso, pois, a maioria dos alunos demonstrou interesse em observar suas semelhanças e diferenças.
Os projetos estão em andamento, apesar do tempo curto para tantas atividades. As cursistas relataram mais uma vez que o Programa Gestar II está possibilitando ampliar horizontes, também vem ajudar a reconhecer muitas práticas que já eram feitas pelos professores, legitimando-as e colaborando para o ensino de qualidade, apesar da influência negativa de muitos outros fatores pertinentes à ação pedagógica.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A gramática do aluno e o ensino produtivo

Há muito acredita-se que podemos ensinar muitas coisas através da repetição e do exemplo. Em muitos casos é assim que acontece, porém no ensino de línguas essa concepção, que enfatiza sob diversos aspectos esses elementos, vem desaparecendo a medida que observamos sua ineficiência por se distanciar das práticas cotidianas.
Um importante linguista francês, André Cousinet, já nos meados do século passado, insistia no fato de que cabia a nós, professores de línguas, ajudar nossos alunos a fazer o papel do linguista: além do próprio uso da língua, observar, observar, observar, e refletir sobre o observado. Depois, registrar essa reflexão de algum modo, se for necessário. (TP2 p.21)
Sendo assim, um dos caminhos possíveis são propostas de atividades que possibilitem aos usuários-aprendizes refletir sobre o que leem e produzem. Atividades nas quais possam testar diferentes possibilidades de usos linguísticos, e a partir desses usos, identificados como possíveis discutirmos as adequações. Dessa forma, exploramos os conhecimentos linguísticos internalizados dos falantes, oportunizamos reflexões pautadas em possibilidades de usos, levando-os a (re)produzir versões para um mesmo texto. Praticar e discutir os usos adequados de cada possibilidade ampliará a gramática interna, implícita, de uso na língua viva e conduzirá à construção da competência de avaliar a adequabilidade da língua no cotidiano e na organização de suas falas (textos orais e escritos).
Basta lembrar que saber expressar-se numa não é simplesmente dominar o modo de estruturação de suas frases, mas é saber combinar essas unidades sintáticas em peças comunicativas eficientes, o que envolve a capacidade de adequar os enunciados às situações, aos objetivos da comunicação e às condições de interlocução. E tudo isso se integra na gramática. (TP2 p36-37).
Exemplo de atividade baseada na Gramática Descritiva ou Reflexiva:
Post Scriptum

Te vi na janela,
bela.
Uma fera de penhoar.
Que tipo mais qualquer,
pensei,
melhor uma fera de software.
Sérgio Caparelli
Atividade oral do texto-poema:

Quem viu alguém na janela? (pessoa verbal)
Quem é visto na janela? (análise semântica)
O que é penhoar? (uso dicionário)
Quem é bela, a janela? ( pontuação, uso da vírgula)
Como sabemos o sexo da pessoa que está na janela? (análise semântica – gênero)
O que quer dizer “que tipo mais qualquer”? (análise semântica – implícito)
O que é software? (estrangeirismos)
O que quer dizer a palavra fera nas duas situações? (linguagem figurada)
Qual o significado da palavra melhor naquele contexto? (análise semântica)
ATIVIDADES ESCRITAS
Outras possibilidades: DESAFIOS.
REESCRITA usando verbos relacionais – que aparecem elípticos no texto e podem ser inseridos em diferentes trechos(ser, estar, parecer).
REESCRITA trocando a palavra MELHOR por outra que não altere o significado do texto.
REESCRITA modificando o foco narrativo – de 1ª. para 3ª. pessoa.
REESCRITA utilizando o conectivo ENTÃO em algum trecho do texto sem modificar o sentido original do texto.
REESCRITA utilizando uma linguagem da internete, msn por exemplo, pois o texto supõem uma situação interlocutiva.
Esta atividade foi desenvolvida pelos cursistas de Barra do Bugres, Denise e Porto Estrela. Também foi compartilhada no Seminário de Acompanhamento com os formadores do grupo da professora Maria Rosa da UNB. Com alunos, recomendo a utilização de uma linguagem mais simplificada, por exemplo, quando for falar dos verbos relacionais, mencionar apenas a inserção de verbos. Já realizei a experiência com alunos da 2a. fase do 3o ciclo e o resultado foi bastante satisfatório.

Linguagem e cultura - Barra do Bugres




No dia 19 de setembro na Escola Julieta Xavier Borges estivemos reunidos para apresentar os estudos do TP1. O grupo foi dividido conforme as unidades do TP e a atividade da oficina 2 - parte III. Os cursistas utilizaram apresentações de slides e exposições orais para falar de cada assunto abordado. Uma das atividades dos Avançando na prática que mais chamou a atenção foi desenvolvida pela professora Elaine : a confecção do dicionário dos jovens. (p.23).


A professora demonstrou grande satisfação com a execução da proposta, pois, a relação com a realidade dos alunos foi um elemento motivador para sua classe. A parte mais interessante da aula foi a socialização oral da pesquisa de palavras e expressões com os familiares, já a parte escrita foi o ponto que mais gerou dificuldades. De acordo com a professora Elaine "a aula foi produtiva porque mexeu com o que é deles", salientou ainda a importância de "haver diálogo sobre o conteúdo, esclarecer bem os pontos a serem trabalhados para então aplicar as atividades na prática." Nesta proposta foram produzidos pequenos livrinhos com exemplos dos falares praticados pelos jovens e seus familiares (foto acima).


O trabalho com a intertextualidade também possibilitou a criação de ótimos textos, provando que os trabalhos foram realmente bem conduzidos. Foram produzidos paródias, paráfrases, pastiches e textos com referência a elementos e personagens de contos clássicos bem conhecidos. A professora Ana Paula selecionou alguns textos que demonstram o entendimento e a criatividade de seus alunos da 3a.F/3o.Ciclo da Escola Julio Muller de Barra do Bugres. Um dos textos pode ser visto acima.